Birdwatching na Serra Gaúcha

Pretendo ser breve e resumir o máximo possível o relato da viagem, mas me conheço e sei que vou acabar colocando vários detalhes.

Na última quarta-feira de janeiro, recebi o convite do Caio Belleza para irmos para a serra fotografar aves. Aceitei de imediato e desde então comecei a me organizar para a viagem.

Saímos no sábado e subimos em direção à São Marcos, onde o Cláudio Cesar já estava nos aguardando. O Cláudio é um observador da região e ele ficou encarregado da missão de nos guiar por lá. Logo que chegamos, ele nos levou à um restaurante, jantamos por lá e depois partimos para o interior, para “a cabana”, local no qual ficamos muito bem alojados.

Caxias do Sul

Na primeira noite no local, dei a ideia de fazermos uma corujada pra ver se aparecia alguma coisa por lá. De imediato, registramos a corujinha-do-mato (Megascops choliba) e a corujinha-do-sul (Megascops sanctaecatarinae). As duas eram lifer para o Cláudio e a do-sul, era lifer para o Caio. Começamos a viagem com sorte.

No dia seguinte, acordamos cedo e fomos até o Cânion Palanquinhos, interior de Caxias do Sul. O objetivo lá, era encontrar a patativa-tropeira (Sporophila beltoni), o caboclinho-de-barriga-vermelha (Sporophila hypoxantha) e com sorte, o Urubu-rei (Sarcoramphus papa). Chegamos lá e a primeira coisa que me chamou a atenção, foi a beleza do lugar. Comentei com os guris, que as aves ficaram em segundo plano para mim, pois realmente aquele lugar me chamou muito a atenção pela beleza singular. Por lá, conseguimos registrar a patativa-tropeira (Sporophila beltoni) e infelizmente não achamos as outras duas espécies que procurávamos, mas teve a surpresa da manhã, que foi o encontro inesperado com o anambé-branco-de-rabo-preto (Tityra cayana). Espécie que até então não havia sido registrada no município de Caxias do Sul. Seguimos em frente e registramos mais algumas espécies… O objetivo da tarde era encontrar o caboclinho-de-barriga-vermelha (Sporophila hypoxantha) e o Cláudio nos ajudou a realizar esse objetivo com maestria. Eu confesso que não sei nem como chegamos no ponto onde a ave estava, pois dormi e acabei me perdendo pelas estradas do interior.

Chegamos lá e tocamos o playback, eis que de repente a ave aparece e nos possibilita fazer boas fotos, na minha opinião, a foto que fiz lá, foi a mais massa da viagem, por causa da composição. Geralmente os caboclinhos se aproximam bastante, mas esse não veio tão perto assim, mas a foto ficou bem legal. Após esses registros, voltamos para a cabana com a intenção de registrar o coró-coró (Mesembrinibis cayennensis), antes que ficasse tarde e sem iluminação para boas fotos. Logo que chegamos lá e tocamos o playback, apareceram dois indivíduos e ficaram se expondo por alguns minutos. Eu estava deitado na grama, muito bem posicionado e consegui fazer fotos muito boas da espécie, mais um lifer que só foi possível graças ao Cláudio Cesar.

Encerramos o dia com muitas fotos legais e com alguns lifers. Agradeço imensamente ao Cláudio por toda disposição e empenho de nos ajudar a fazer boas espécies, sem ele, nada seria possível!!

Abaixo, algumas fotos desse dia incrível:

São Francisco de Paula

No dia seguinte, subimos em direção à São Francisco de Paula, por lá queríamos registrar o caboclinho-de-barriga-preta (Sporophila melanogaster) que até então, era uma das espécies que eu mais gostaria de ver pessoalmente, visto que eu sempre via ótimos registros dele na internet e aquelas fotos me instigavam a fazer uma parecida. Graças ao conhecimento do Caio, eu pude realizar esse sonho. Ele me colocou de frente com a ave e ela ficou pousada à poucos metros, possibilitando registros excelentes. Obrigado, Caio! Te devo mais essa! Depois fomos até a FLONA (Floresta Nacional) e resolvemos ficar por lá mesmo, visto que o valor da hospedagem é o mais em conta da região e querendo ou não, já ficaríamos dentro de uma Floresta Nacional, cheia de aves. Pouco antes do meio dia, seguimos para a cidade de São Francisco de Paula para comprarmos algumas coisas no supermercado e almoçar em algum restaurante. Após isso, fomos até a pousada do Roberto Botelho para tentar rever o amigo, mas infelizmente ele não estava por lá. O Caio conhecia alguns pontos por lá e fomos atrás de algumas espécies lá mesmo. O registro mais legal de lá, foi o mocho-diabo (Asio stygius), uma coruja que eu sempre quis ver. Há um ponto fixo na cidade e o Caio soube me levar lá. Consegui melhorar alguns registros de outras espécies que não são tão comuns aqui. O dia foi produtivo.

Voltamos pra FLONA e na noite, tentamos ver algumas corujas. Foto não conseguimos, mas ouvimos a corujinha-do-sul (Megascops sanctaecatarinae) e a coruja-listrada (Strix hylophila).

No outro dia, acordamos bem cedo e fomos fazer a trilha até a Cascata Bolo de Noiva. Além de conhecer um lugar legal, poderíamos ver algumas espécies pelo caminho. E não é que deu certo a estratégia? Encontramos o matracão (Batara cinerea) e o Caio conseguiu fazer alguns registros, eu não consegui porque apanhei pra câmera, perdi o lifer!! Mas isso é normal, faz parte da brincadeira.

Seguimos a trilha (que é bem difícil, por sinal) e chegamos até a cascata, o local é sensacional, vale a pena enfrentar uma trilha difícil e ir até lá. Ficamos alguns minutos por lá e voltamos para almoçar.

Fiz o almoço para nós e depois foi hora de tirar um cochilo antes de sairmos a tarde. Mas adivinha? O cochilo se estendeu até as 17 horas e acabamos ficando sem sair para fotografar, mas não ficamos chateados, estávamos muito cansados. Ao menos eu estava!!

Resumindo, foram dois dias intensos por São Francisco de Paula e fica aqui minha dica à todos: Não deixem de visitar a FLONA, o local é sensacional e abriga diversas espécies legais, infelizmente não fomos numa época muito boa e não vimos muitas aves, mas valeu demais só pela experiência de estar no meio de um lugar praticamente selvagem.

Abaixo, algumas fotos desses dois dias por São Francisco de Paula:

Itati e Osório

O último dia da nossa viagem nos reservava algumas surpresas. Saímos da FLONA por volta das 6h da manhã e partimos em direção ao litoral norte. Nosso objetivo por lá, era encontrar o amigo e observador Bjørn-Einar Nilsen que faz muitas fotos legais no município de Osório.

No caminho, decidimos ir parando em alguns pontos propícios para fotos e tentamos atrair algumas aves com o playback. Num mirante em Itati, conseguimos registrar o bico-grosso (Saltator maxillosus). Logo em seguida, o Caio conhecia uma estrada que dava acesso a Cascata da Pedra Branca e me convidou para ir até lá com ele, encontramos diversas aves pelo caminho, mas o atrativo principal foi a cascata, um dos locais mais lindos que tive a oportunidade de conhecer. O Rio Grande do Sul tem muitas beleza naturais que muitas vezes nós desconhecemos, vale a pena explorar todas as regiões, com certeza encontraremos algo especial.

Descemos em direção à Osório e chegamos lá pouco antes do meio-dia. Pegamos o Bjørn em casa e fomos em direção ao Morro da Borússia em Osório. Por lá, tentamos encontrar o papa-taoca-do-sul (Pyriglena leucoptera) que recentemente havia sido encontrado por lá. Tivemos azar e não conseguimos encontrar a ave, em contrapartida, o Caio avistou o tesoura-cinzenta (Muscipipra vetula), uma espécie que até então eu não havia registrado no Rio Grande do Sul, valeu como lifer estadual.

Resolvemos ir até a Lagoa do Marcelino para ver algumas aves aquáticas, como eu fui sem botas, acabei entrando na lagoa de pés descalço, o que pode ser um grande erro, porque eu poderia ter pisado em algo que cortasse meu pé ou até mesmo encontrar alguma cobra em meio a vegetação. Enfim, deu tudo certo! Por lá, encontramos diversas espécies, como maçaricos, batuíras, marrecas e mergulhões. O show ficou por conta do bate-bico (Phleocryptes melanops), uma ave que eu vejo demais aqui na minha região, mas nunca tive a oportunidade de fazer um bom registro como pude nessa ocasião.

O Bjørn deu a ideia de irmos até Tramandaí para tentarmos encontrar a sanã-carijó (Mustelirallus albicollis). Chegamos lá e ave apareceu, mas de maneira muito rápida e contra a luz, como minha câmera é um pouco lenta, acabei ficando sem registrar a ave. Mas acontece, nem sempre a gente consegue fazer fotos boas das espécies que queremos. Depois voltamos a subir o Morro da Borússia para tentarmos o papa-taoca, mas infelizmente não conseguimos foto.

Fica aqui meu grande agradecimento ao Bjørn pela guiada na região de Osório, sem o conhecimento dele, não teríamos conseguido ver algumas espécies como vimos. Só pela foto do bate-bico, meu dia já valeu a pena!! Muito obrigado, meu amigo.

Algumas fotos desse último dia:

Mas eu não poderia deixar de fazer um agradecimento especial ao Caio Belleza, mais uma vez me convidou pra viajar e essa foi uma das mais incríveis que já fizemos juntos. Muitas aves, muitos lugares bonitos e principalmente, muitas risadas. O Caio é uma, se não a maior, amizade que fiz dentro do birdwatching. Sem a ajuda e incentivo dele, eu não faria 1/3 do que faço hoje pela observação de aves. Muito obrigado meu amigo, tenho certeza que faremos muitas viagens legais juntos ainda.

Para ver todas as fotos em maior qualidade, fica ligado no nosso instagram.

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7 comentários

    1. Que aventura! É sempre bom passarinhar em turma, rende lifers e muitas risadas. Parabéns a todos e principalmente aos detalhes da passarinhada, “viajei junto”.

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